Fontes de metano
- italo prota de sa
- 31 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de jan. de 2025
O metano é o segundo gás em importância para o efeito estufa. Sua fórmula química é CH4, um átomo de carbono e quatro de hidrogênio. Tem alto poder de absorção de calor e, por sorte, tem vida útil curta na atmosfera (mais ou menos 10/12 anos).
Não existem sumidouros de metano. Na atmosfera ele reage com uma hidroxila (OH) e se transforma em água (H²O) e gás carbônico (CO2). Desta forma, ele retém calor por 10/12 anos como metano e, daí para a frente, ele retém como carbono. Pode se dizer que depois de 12 anos ele devolve o carbono que foi extraído pelo pasto. Isto pode ser um bom argumento para os pecuaristas.
O metano é naturalmente produzido por decomposição anaeróbica de matéria orgânica (vegetal e animal). Em português claro, apodrecimento ou fermentação de plantas e animais em áreas húmidas e aparelhos digestivos de animais (todos), mas, especialmente, em animais ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos, alces, veados...).
As atividades antrópicas que mais emitem, em milhões de toneladas:
a) Ruminantes ..................................................... 126
b) Extração de combustíveis fósseis ................. 121
c) Cultivo de arroz irrigado por inundação ..... 80
d) Resíduos e esgoto ......................................... 65
As emissões naturais representam cerca de 40% do total e as antrópicas, 60%. No todo, as emissões de metano estão crescendo muito e os cientista não sabem porquê.
O metano tem vida útil curta, cerca de 12 anos, na atmosfera e, por isto, é o gás a ser enfrentado para que se obtenha resultados de curto prazo em relação ao aquecimento global. Tudo que for feito para reduzir ou compensar as emissões de gás carbônico imediatamente somente surtirá efeitos no longo prazo (após 2050/60). Então, vamos ao metano.
O melhor caminho é começar pela “energia”. As emissões decorrem de vazamentos e uso de equipamentos antigos de extração, transporte e queima de combustíveis fósseis. Há tecnologias comprovadas e baratas – os petroestados e petroempresas não querem reduzir seus lucros fantásticos. Somente através de leis é possível conseguir algo. Aqui não é bom esperar muito, é o mais eficiente, o mais eficaz e mais barato.
O próximo passo é atacar as queimadas, incêndios e os resíduos. No Brasil não deve ser muito fácil: queimadas e incêndios, não temos capacidade de controlar (só ver Amazônia, Cerrado e Pantanal), aterros sanitários e esgoto nem se fala.
Para nós sobra a pecuária e o arroz irrigado por inundação (90% da produção nacional). Em relação ao arroz, podemos plantar arroz de sequeiro, fora do brejo, é menos produtivo e mais caro e existem algumas tecnologias para redução das emissões. Também é muito pouco. Tipo 5% das emissões dos nossos bovinos. Então, é bom, mas não é por aqui.
Finalmente, nos sobra a pecuária. No Brasil, a pecuária tem uma possibilidade enorme de compensar as emissões. Basta fazer integração pecuária-floresta. É ótimo, mas, não tem nenhum efeito de curto prazo porque a emissão de metano tem efeito imediato e o metano é cerca de 80 vezes mais poderoso do que o gás carbônico para reter calor (no curto prazo). Não confundir com o Potencial de Aquecimento Global do metano que é igual a 28 (num horizonte de 100 anos). O plantio de árvores é ótimo de todos os pontos de vista, mas, tem efeito de muito longo prazo.
Seguramente a pecuária no Brasil e no mundo vai ser pressionada a reduzir as emissões com uso de Bovaer, tanino, ionóforos, melhoria da eficiência e REDUÇÃO DO REBANHO. A bovinocultura, especialmente a pecuária de corte, vai ter que se reinventar. Para piorar, a carne bovina tem ótimos substitutos: frango, porco, peixes etc. Que, além de tudo, custam bem menos.
A bovinocultura de leite é menos emissora por unidade de produto e o leite de vaca e seus derivados são muito mais difíceis de serem substituídos por outros produtos equivalentes.
Vai sobrar para a pecuária de corte.
A figura a seguir ilustra bem o que a humanidade deverá fazer, além de plantar árvores e outras tecnologias “naturais”. Não há outras alternativas.
O processo é simples. Captura (através de filtragem ou outro processo), transporte e injeção e, finalmente, armazenamento no em algum lugar do subsolo, por exemplo de onde foi extraído o petróleo ou o gás.

As tecnologias já existem, custam caro e exigem muita energia que têm que ser limpa (solar, eólica...).
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