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O aquecimento global e os pecuaristas

  • Foto do escritor: italo prota de sa
    italo prota de sa
  • 8 de dez. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 6 de jan. de 2025

Nós pecuaristas estamos demorando muito para enfrentar um problema grave que é o aquecimento global. Especialmente na parte que nos cabe que é a emissão de metano pelos nossos bovinos. Quem não acredita que a razão do aumento da temperatura média da Terra são as emissões de gases do efeito estufa pelas atividades humanas deve parar por aqui.

Existem diversos gases do efeito estufa, gás carbônico (CO²), metano (CH4), óxido nitroso (N²O) e alguns artificiais, especialmente os destinados ao uso em refrigeração (geladeiras, freezers, câmaras frias e transformadores de alta tensão). Todos são importantes, mas para a bovinocultura, o metano é o “x” da questão. Em primeiro lugar pela sua importância, ele é responsável por mais de 30% do aquecimento até hoje e, em segundo lugar, porque a bovinocultura mundial é a atividade humana que mais emite este gás. Bom lembrar que o gás carbônico é responsável por mais de 60% do aquecimento global.

A quantidade de metano contida na estratosfera (20/30 km de altura), que é onde interessa, aumentou mais de 150% nos últimos 200 anos. As emissões naturais representam, atualmente, cerca de 40% das emissões e os 60% restantes, em ordem decrescente, vêm da bovinocultura, da extração de combustíveis fósseis (denominadas emissões fugitivas), de resíduos de aterros sanitários, lixo esgoto etc. e de plantação de arroz irrigado por inundação. As emissões fugitivas (de extração de combustíveis fósseis) deveriam ser eliminadas ou drasticamente reduzidas porque existe tecnologia para isto, mas as petroleiras não querem reduzir os seus fantásticos lucros. Como elas mandam...


O gráfico a seguir mostra quem são os emissores de metano. Pena que estão misturados “pântanos e cultivo de arroz”. Arroz é mais ou menos uns 60 milhões de toneladas por ano. Pântanos incluem áreas alagadas permanentemente, alagáveis, açudes... A nossa Floresta Amazônica emite mais ou menos uns 50 milhões de toneladas. Energia é basicamente emissão na extração de combustíveis fósseis.


O metano permanece na estratosfera por uns 10/12 anos quando reage com o oxigênio do ar e forma gás carbônico (CO²) e água (H²O). Desta forma, ele retém calor por 10/12 anos como metano e depois se transforma em gás carbônico e permanece retendo calor durante séculos. Não existe outra forma de acabar com o metano na natureza. Não existe sumidouro de metano.


Das atividades humanas geradoras de metano, seguramente, a mais pressionada será a bovinocultura de corte.


Atualmente a humanidade está numa situação muito delicada em relação ao que fazer para que a temperatura média da Terra não aumente mais do que 2,0 Cº, o que já é um limite perigoso demais. Vou explicar as razões:


a) a eliminação da queima de combustíveis fósseis no curto prazo (20 a 30 anos) é impossível e os poderosos não querem porque reduz o PIB, o lucro das “petroleiras” mundiais (Petrobras, inclusive) e das gigantes da geração de eletricidade.


b) a concentração de gás carbônico na estratosfera é superior a 424 partes por milhão e é mais do que suficiente para que a temperatura da Terra continue a aumentar aceleradamente por muitos anos.


c) o gás carbônico permanece na estratosfera por centenas de anos. Assim, os 424 ppm vão permanecer lá até que sejam extraídos pelo homem (a natureza, solo, florestas existentes e oceanos não conseguem mais).


d) a extração de CO² pode ser feita por florestas plantadas, mas a quantidade de árvores é muito maior do que o possível. Sobra a captura direta do ar e a estocagem no subsolo (por exemplo, de onde se extraiu o combustível fóssil) ou no fundo dos oceanos ou, ainda, como produto de vida útil muito longa. Existe tecnologia, mas é muito caro e, no volume necessário, exigirá muito tempo e muita grana.


Em resumo, da redução do gás carbônico nada a esperar até 2040/50.


O foco será o metano. Diferentemente do gás carbônico, o metano permanece na estratosfera por poucos anos (cerca de dez a doze anos). Assim, a redução das suas emissões provoca efeitos de curtíssimo prazo. Em outras palavras, a redução de emissões de gás carbônico é como um tratamento homeopático e a redução do metano é um tratamento de choque. Sem dúvida, é mais negócio investir na redução do metano. Azar o nosso (pecuaristas). Além disto, no nosso curto prazo (+- 20 anos), o poder de aquecimento global (PAG) do metano é de +- 81. Isto significa que reduzir a emissão de uma tonelada de metano provoca o mesmo efeito que reduzir a emissão de oitenta e uma toneladas de gás carbônico. Racionalmente, é mais negócio reduzir as emissões de metano. Azar o nosso de novo.


Conforme já disse, as fontes antropogênicas de metano são as decorrentes da extração de combustíveis fósseis, emissões fugitivas, bovinocultura e plantação de arroz irrigado por inundação. Petróleo e gás ninguém mexe no curto prazo (20 a 30 anos), arroz é base de alimentação de bilhões de asiáticos, praticamente não tem substituto e será muito difícil reduzir ou mudar a produção lá na Ásia. Aqui no Brasil, a produção é quase toda no Sul e com irrigação por inundação, também será difícil mexer, mas é mais fácil do que na Ásia. Sobra a bovinocultura.


A bovinocultura de corte, essencialmente, produz carne. Claro que tem diversos outros produtos como couro, tripas, ossos, miúdos etc. Ocorre que a carne bovina pode ser substituída por outras carnes como a de porco e a de frango que emitem muito, muito mesmo, menos gases do efeito estufa, e custam bem menos. Há ainda a carne cultivada para concorrer com a pecuária de corte.


  Também estamos vendo crescer a quantidade de veganos, vegetarianos, flexitarianos e afins. Em outras palavras, temos apertos de todos os lados e é bom estarmos preparados.

Fala-se muito em compensação das emissões, créditos de carbono, agricultura de baixo carbono, plantio direto, integração pecuária floresta etc. como formas de combater o aquecimento global. Tudo isto é ótimo e deve ser feito, mas significa trabalhar hoje para colher os resultados a longo prazo e não provoca efeitos no nosso curto prazo (+- 20 anos). Para a bovinocultura, a única forma de colaborar na redução da temperatura média da Terra é reduzir as emissões.


Existem diversas formas de reduzir as emissões dos bovinos:

  • melhorar a qualidade das pastagens;

  • melhorar o manejo das pastagens;

  • fazer silagem;

  • melhorar a genética dos animais;

  • usar aditivos no sal mineral ou na ração (ionóforos, probióticos, taninos etc);

  • usar Bovaer;

  • usar máscara ZELP (Zero Emission Livestock Project) e

  • outras (para não esquecer nenhuma).


Todas estas alternativas são viáveis tecnicamente, podem ser combinadas, umas mais caras, outras mais baratas e algumas podem até dar lucro, mas não podem eliminar a emissões – somente reduzir. Não se sabe quanto é possível reduzir e todas as combinações que podem ser feitas.


Em resumo, para a humanidade, no curto prazo, a melhor alternativa é reduzir drasticamente as emissões de metano decorrentes da extração de combustíveis fósseis, da bovinocultura, dos resíduos e, mais difícil, das plantações de arroz. A médio e longo prazos, reduzir e zerar as emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis. Enquanto isto não é feito, vamos enfrentando os eventos climáticos extremos como os de 2023 e 2024.



 
 
 

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Italo Prota de Sá

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